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Relato de Parto:

Ana - 30/05/2013

Por Ana Porto

Há cinco anos Cecilia nasceu e quantos momentos bons já vivemos. Passado esse tempo gostaria de compartilhar aqui o relato do parto. Desde a gestação escrevo alguns momentos e curiosidades para Cecília em um caderninho e este relato faz parte dele.


Cecília,

Esse é o relato do seu nascimento, um momento tão significante. Um verdadeiro “divisor de águas” em minha vida que resolvi compartilhar com você. Aqui neste caderno tem um pouco da sua historia intra-uterina e não poderia deixar de registrar sua chegada triunfal. Espero que um dia você lei e sinta esta mesma garra e emoção que senti.


Sempre tive o desejo de ter um parto natural. Talvez por escutar as historias de mamãe, vovó Nena, que teve três partos normais. Eu, inclusive, nasci no quarto, porque não deu tempo de a levarem à sala de parto. E assim, desde o início, apesar das pessoas olharem para mim achando que seria difícil por causa do meu biotipo: magrinha, franzina, eu sabia sim; que poderia tê-la de parto normal.

 

Tiago, papainho, como você começou a chamá-lo, sempre me apoiu e assumiu comigo este desejo. Foram nove meses de apoio, carinho, incentivo. Ele esteve comigo em todas as idas ao obstetra e encontros as rodas do Gestar, grupo coordenado pela parteira, Danieli Siqueira, amiga de quase duas décadas.


Não posso negar que Dr. R., ginecologista e obstetra que já me acompanhava antes da gestação, durante todo pré-natal deu todo suporte e incentivo para o parto normal. E assim eu e seu pai alimentados ainda mais pelo carinho e conhecimento de Dani através de cada encontro ratificávamos a vontade do parto humanizado.

 

Havíamos nos mudado no final de semana anterior do Recife para Olinda, decisão tomada há apenas um mês, porém certa por ser o lugar onde cresci, onde conheci seu pai, onde estão familiares e amigos. Felizes, portanto, com o apartamento para organizar, e principalmente seu quartinho, primeiro lugar a ficar pronto, claro.


Era dia 30 de maio de 2013 quando os móveis de seu quarto foram montados. Ao final da montagem seu pai até brincou: “pronto, Cecília já pode nascer!”. Lembro dele perguntado o que eu tinha, pois enquanto ele organizava algumas coisas no apartamento eu estava toda quietinha, encolhida na cama como um bichinho preste a ter seus filhotes. Neste dia, almocei na casa de vovó Nena e vovô Valter. Em seguida, sai com Tiago para comprarmos seu colchão e voltamos para casa.


Nesta mesma quinta-feira, faltando um dia para completar 38 semanas, já tomada banho, com roupas para dormir deitei no colo de seu pai para assistirmos ao Jornal Nacional. No intervalo, às 21h, Tiago se levantou e pedi que ele fizesse um suco de acerola. Mas, não deu tempo! Senti uma força muito grande no “pé” da barriga e no caminho para o banheiro senti que estava saindo um líquido. A bolsa havia estourado!


Ao mostrar para Tiago ele começou a andar de um lado para outro vibrando e perguntando o que deveria fazer. Eu muito calma disse que iria ligar para o médico.

Dr. R. disse que possivelmente eu estava entrando em trabalho de parto, mas pediu que me dirigisse a uma urgência para a plantonista confirmar. Ao sair de casa a única coisa que levei foi minha bolsa com documentos e uma imagem de Maria grávida. No caminho pedi para Tiago parar na farmácia, pois precisava comprar absorvente senão o carro ficaria todo molhado. Já no caixa perguntei onde era o banheiro, e Tiago disse que a bolsa havia estourado. A vendedora olhou com um ar de assustada, mas lodo indicou o lugar. Ao sair todos olhavam pra gente com admiração, dizendo que nunca tinham passado por aquilo. E alguns exclamaram: Boa sorte! Parabéns! Tudo de bom! Vão com Deus! Saímos as pressas, pegamos tia Silvinha e vovó Nena, que já havia ligado para tia Mila e bisavó Helena para dizer que você estava prestes a nascer e como de costume na nossa família elas ficaram em oração. Ainda no caminho ligamos para vovó Nana e vovô Luiz, que avisaram logo para tio Leon e tia Lu.

Ao chegar ao hospital fui atendida e a médica confirmou: “Você está com 2 cm de dilatação”. Todavia, fomos informados que não tinha vaga para ficar. Encaminharam-me a um setor para aguardar a transferência. Até que Tiago conseguiu um quarto. Esta foi a primeira de algumas adversidades que tivemos que enfrentar, mas com toda minha serenidade e firmeza eu sabia que iria vencer.

Em seguida avisei a Dr. R que realmente estava em trabalho de parto. Porém, para minha surpresa ele disse que não poderia me assistir, porque com 2 cm de dilatação provavelmente você nasceria às 6:30h da manhã e

ele estava com uma atividade marcada no outro dia. Apesar da falta de

empatia com Dra. C., médica plantonista que me atendeu, ele disse que não tinha ninguém para encaminhar ao hospital. Mais uma contingência que tive que administrar. Olhei para Tiago e pedi que ele ligasse para Dani.

As contrações só faziam aumentar. Foram momentos de pura adrenalina misturada com ocitocina, popularmente conhecido como hormônio do amor. Até que no segundo toque, por volta das 23:30h, os 2cm de dilatação tinham evoluíram para 8. Só escutei a médica falar: “direto para sala de parto, o bebê vai nascer agora”.


Hoje vejo como tudo confluiu para você nascer como eu desejava: de parto normal. No caminho para o bloco cirúrgico um amigo de seus tios, Guga, estava com a esposa também em trabalho de parto e me reconheceu. Ao falar com vovó Nena esta comentou que o médico não tinha comparecido, surtindo efeito mais na frente.


Na porta da sala de parto, Dani chegou trazendo sua paz e tranquilidade ajudando a aumentar ainda mais minha segurança e perseverança. Lembro bem dela pedindo para concentrar em seus olhos e respirar com ela. Como isso me fez bem... E cada vez que as contrações vinham, eu concentrava e respirava.


Quando entramos na sala de parto colocaram-me na “mesa de parto” e comecei a escutar sons de instrumentos. Até que Dra. C. soltou: vamos colocar o sorinho? Sua fala soou tão delicado. Mas, para quem sabe os efeitos que a ocitocina sintética provocam não entenderia este tom de voz como delicadeza. E eu sabia, por isso disse firmemente: Sorinho? Eu não quero sorinho. Então, Dra. C. tirou as luvas e disse que abandonaria o
parto e que nós assumíssemos. Lembro bem de nós três nos olhando, eu, seu pai e Dani E esta entuando: relaxa, Tiago, quem fará este parto será eu, você e Aninha. Pedi que Tiago ligasse para Dr. R, mas o telefone já estava desligado. E assim, continuei concentrando e respirando.


Sai da “mesa de parto”, fiquei de cócoras na banqueta apoiada em seu pai, que me acariciava, fazia massagem e movimentos orientados por Dani. Depois de todas as adversidades vencidas os trinta minutos que seguiram foram de muita torcida. Dra. G. obstetra da esposa de Guga surgiu como um anjo e para meu alívio ela reconheceu Dani.


Elas haviam estado juntas há dois meses num parto. Ela escutou seu coraçãozinho; disse que estava tudo bem e que poderíamos continuar. Nesta hora vovó Nena por ser pediatra entrou para pegá-la. Mas, não estava nos nossos planos, pois minha vontade era que ela fosse apenas avó e não médica nesse momento. Até que a pediatra da equipe de Dra. G, Dra. T., entrou e assumiu o lugar. Mais um anjo para dar força e contribuir para o ambiente de paz que sustentamos até o fim.


Foram mais 30, 40 minutos entre contrações, forças e vibrações. Senti sua cabecinha umas duas vezes, a chamei e poucos minutos depois você veio, como um anjo suave, com um olhar tão expressivo, fascinante, uma verdadeira obra de arte. Colocaram-na no meu colo. Em seguida Dra. T. a levou e lembro como hoje ela dizendo: índice de apgar: 9 e 10. Nossa, pensei! Deu tudo certo. Esse teste consiste na indicação de 5 sinais para avaliar as condições vitais do recém-nascido. Em seguida, a placenta saiu. Seu pai cortou o cordão umbilical. E você veio mais uma vez para meu colo e mamou mais um pouco. Ocitocina, só a natural produzida pelo próprio corpo. Sem analgesia, só a natural também produzida pelo próprio organismo.

Quando conto nossa historia é unânime a indignação das pessoas por todas essas adversidades. Contudo, hoje, passado esse tempo vejo que as coisas realmente não são por acaso e quem sabe tudo isso aconteceu para mostrar que por trás dessa moça franzina, magrinha existe uma mulher, que diante de tais circunstâncias, precisou mostra-se como tal, empoderada e conduzir o trabalho de parto como uma fêmea que cuida e defende seus filhotes.


Eu te amo!!! Mamãe.

 

Relato de Parto:

Rebeca - 27/05/2013

Por Rebeca Buarque

Era manhã de domingo 26/05, aniversário de mainha, e naquele momento, o tampão nos avisou que havia chegado a hora.

 

Shirley Caroline e Li Buarque chegam no começo da noite.Tina Buarque já estava por lá. Preparamos a casa para a festa do nascimento! Caminhamos na rua para mostrar a João que a lua cheia estava à sua espera! E assim foi, à 00:20 o trabalho de parto se inicia de fato.

 

Danieli Siqueira e Maiana Gomes Lins chegaram um pouco depois, trazendo seus conhecimentos, tranquilidade e segurança para o momento. As dores aumentavam, os intervalos entre elas diminuíam. Rodrigo Rodrigues companheiro de todos os momentos não me deixou só. Me segurava, me abraçava e encorajava.

 

Vi que o sol estava nascendo pela janela do banheiro, num banho quente que ficou frio (falha na organização) e ali, Dani apareceu e disse que eu poderia ir pra banheira se quisesse. Naquele momento, sabia que estava próximo e fui. Antes de chegar lá passei por um momento de contrações no corredor, me marcou, porque via tod@s se revezando para me manter de cócoras, que era, naquele momento, uma posição confortável.

 

Entrei na banheira mas não fiquei muito tempo. Depois de algumas contrações lá dentro, Dani me chama para fazer um toque (o único) e aí veio a notícia: dilatação completa - 10 cm! Tentei me manter de quatro para o alinhamento do útero, lembro que nesse momento as contrações vinham acompanhadas de sorrisos, e foi quando Dani voltou e me ofereceu a banqueta de parto!

 

Era chegada a hora! As contrações vinham fortes, e o cansaço e ansiedade daquele momento estavam nos rostos de cada um! Em um momento me ofereceram o espelho para que eu pudesse olhar meu João ainda dentro de mim, e olha lá, a bolsa estava íntegra, toquei e senti a bolsa, e a vontade veio com tudo...Rodrigo me segurava pelas ombros a ​cada contração...e com um grito de mamífera, de mulher chamei o meu

João, que me atendeu e nasceu!

Lembro do barulho de chuva, lembro do seu pouco choro, de sua tranquilidade ao me olhar, de seu barulhinho com a boca e do seu cheiro, ahh, como lembro de seu cheiro! Isadora que havia dormido toda a madrugada acordou e chegou no quarto exatamente no momento em que ele estava nascendo, numa sincronia perfeita entre irmãos.

 

Eram 8:49 do dia 27 de Maio de 2013. Um dia de cura, de renascimento, coragem, respeito, tranquilidade, amizade, de amor. Sou grata à tod@s que fizeram parte desse momento, os que estavam ali, e os que não. Sou grata à natureza e sua perfeição. Sou grata à vida!

 

Relato de Parto:

Shirley -13/06/2011

Por Shirley Caroline

 

Uma vez escrevi que tudo começa na segunda-feira e nas manhas das manhãs. E foi assim que começaram os primeiros sinais da vinda de Nara.

O relógio indicava 7hs, dia 13 de Junho de 2011, dia de Santo Antônio. Acordei com os sentidos voltados para o meu corpo. Por isso mesmo, já sabia que era chegada a hora. Fiquei tranqüila. Em meu pensamento as palavras de um amigo eram todas repetidas “o corpo é sábio” – e acreditei. Ao perceber que as leves dores de cólica persistiam quando em vez, liguei para a parteira Danieli Siqueira, às 10h. Foi estabelecida a comunicação. Com a confirmação de Dani, de que era a “boa hora”, entrei no quartinho de Nara, conversei com ela e orei aos espíritos amigos. Às 14h30, como um sistema de conjuntos, meu quarto estava na casa vazia, a cama estava no quarto, eu estava na cama, a barriga em mim, Nara na barriga, mas não nadava mais. Um quentinho jorrava entre as minhas pernas. Em pouco tempo já estava a sentir náuseas e irritação porque, ali, eu havia penetrado no meu mundo, o qual havia se tornado restrito.  Eu estava adentrando a Partolândia...

Pela janela do quarto, vi Dani de braços dados com Dona Prazeres entrando pelo portãozinho. E eu olhei para aquele serzinho de quase um metro e meio com o coração palpitando de felicidade. Havia Rebeca e havia Tatiana, doula. Eu sabia que não estava mais sozinha. Sabia que a partir daquele momento era a pessoa mais segura do universo e que todos os meus desejos seriam respeitados. Estava caminhando para um parto natural, ativo, humanizado, trazendo minha filha da melhor forma possível a este mundo, com respeito e entrega que é o princípio do amor.

Meu último desejo foi um pedaço da manga que Rebeca estava fatiando. Não precisei falar que queria, ela ofereceu como quem está em sintonia absoluta. Recordo das caminhadas e abraços tranqüilizadores de Tati, respirando comigo o tempo todo. De olharmos a lua, no céu, plena em seu último dia de lua crescente; crescida, enfim. Lembro do olhar seguro e a voz doce de Dani, mostrando a realidade com entrelinhas do “eu-confio-em-você” e o olhar tão vencido pelo tempo, de dona Prazeres, o qual me respondia perguntas que nunca pronunciei naquela noite. Noite que estava linda, com um clima agradável, muitas estrelas. Nossa casa estava com apenas uma ou duas luzes acesas e todos os presentes possuíam a sensibilidade de me deixar à vontade e se aproximarem nas exatas horas certas.

O avanço das contrações ocorria em segredo com a imagem do quadro que Dani me pintou. Eu via a imagem de um pôr-do-sol se misturando com a areia de um deserto aonde brotava de uma montanhazinha de areia uma pequenina flor vermelha, simplória, de apenas três pétalas, sobrevivendo no meio do nada, querendo acordar como a rosa do pequeno príncipe. Era o meu útero dilatando...

Com a chegada do papai de Nara, Martins, tive muita ajuda, mas às vezes precisava de Tati para me lembrar como respirava e segurar em minha mão. Ele não estava totalmente preparado por isso não entendia a importância, mas ele acreditava em mim e aprendeu ali, no decorrer do processo a ser um excelente companheiro-pai.  Um momento bastante importante da sua presença se deu quando Dani e dona Prazeres deram o único toque do trabalho de parto. Foi em minha cama, no quarto que um dia foi da mãe de Martins e então era nosso e Nara nasceria nele. Martins deitou ao meu lado e segurou em minha mão, enquanto Dani e Dona Prazeres verificaram a dilatação acompanhada de uma excelente notícia: às 20h30 eu já estava com quase 8 de dilatação! Merecia descanso e fiquei alguns minutos deitada com Martins ao meu lado, sozinhos. Foi ali que fizemos as pazes com o antes.

As contrações foram ficando cada vez mais fortes. O corpo queria expulsar tudo! Fazer uma faxina. Exercícios, caminhadas, bola e uma vontade terrível de evacuar. Era hora de ir para a piscininha. Narinha viria das águas! Todos ansiavam a sua chegada e Dani dizia que estava no 3º estágio.  Logo, a banqueta estava dentro da água. A cada contração, Martins me suspendia e Dani protegia o meu períneo o que dava ainda mais vontade de evacuar, mas eu não sabia direcionar a força do evacuar e a prendia em minha garganta. Por um momento entrei em desespero, dei dois gritos e quase chorei! Neste momento, por alguns segundos, quase desacreditei em meu corpo, foi então que todos se aproximaram mais para ajudar. De repente, Martins e Dani estavam dentro da piscina. Com auxílio das parteiras a cabecinha de Nara saiu e para o corpinho só precisou de uma única força. Eu estava curada da lembrança remota do meu nascer e da episiotomia traumatizante da minha mãe.

Apressadamente, Dani colocou, com um lindo sorriso no rosto, Nara em meus braços. A sensação é indescritível. Parece clichê, mas não recordo de possuir tanta felicidade antes, em toda minha vida! Dois olhinhos de bola de gude me olhavam, logo fechavam, como de japinha, para chorar. As parteiras deram as mãos. Havia abraços e sorrisos. Havia Martins, atrás de mim, com olhos de “ufa!”. Dani me deu um grande beijo na testa, Narinha a consagrava parteira e eu dava vivas pela minha cumadre!

Foi assim que Nara chegou naquela noite de 14 de Junho de 2011, às 00:52, pesando 3.750kg e medindo 55cm, sob o signo de gêmeos, com ascendente em áries e lua em sagitário, como a mãe. Seu bracinho estava enganchado no cordão umbilical. A primeira palavra que eu disse, antes dela chorar, foi “seja bem vinda a este mundo, minha filha!” e a trouxe para o seio esquerdo. O cordão parou de pulsar rapidinho, só depois o papai dela o cortou. Em seguida, Dani a limpou e a levou para conhecer o seu quarto e a sua casa (com exceção dos banheiros). Nara observava tudo, atenta e em silêncio.

O que eu pensava acontecer em segredo, não era tão segredo assim. Na casa ao lado, outras pessoas esperavam Nara com lágrimas, ansiedade e orações. Minha mãe, a madrasta e a irmã do papai, vieram como os três reis magos, guiadas pelo choro, conhecer Narinha.

Ficamos, por alguns minutos, afastadas por paredes. Enquanto Nara conhecia sua família, eu expulsava a placenta. A placenta descolou rapidamente do útero, mas era muito grande e a dor não era nada amiga. No entanto, bastou uma única força, na banqueta, para que ela fosse expulsa. Ela era do tipo raquete, dona Prazeres disse. Comi um pequeno pedacinho com molho shoyo, para recuperar as energias e os demais restos foram enterrados na frente de casa, no dia seguinte, pelo vovô e papai, no que um dia será um pequeno jardim e  hoje há tanto abandono.

A maior surpresa ficou para o final – meu períneo estava íntegro! Curei a mim e a minha mãe do trauma causado pelo meu parto há 24 anos antes. Minha mãe... Tentei levá-la aos encontros de gestantes diversas vezes, sem sucesso; após a chegada de Nara ela tornou-se uma defensora , a olhar o parto humanizado com outros olhos e sei que a mim, também.

 

Por fim, Às 3hs da manhã a casa ficou com o nosso silêncio: meu, de Nara e de Martins, que fazia a vigília do sono dela, enquanto eu descansava um pouco. Ele a pegou nos braços, levou para o berço, olhou da porta do quarto, voltou, a pegou nos (a)braços, trouxe para a cama, trocou a primeira fralda. Havia um brilho em seus olhos, daqueles de quando a gente se apaixona. Ele estava se tornando pai. E quando abri meus olhos, duas ou três horas depois, ele estava na mesma posição, fixando o olhar no mesmo objeto. Nara olhava tudo lentamente com olhinhos de bola de gude, conhecendo e se deixando conhecer. O mundo se limitava todo ali, naquela cama de casal em que cabia três.

Dentro de mim, meu coração batia mansinho e quietinho, batucando um samba como uma prece, agradecida a todos os espíritos amigos, materiais ou não. Eu estava aliviada. Muita coisa iria começar, mas muitas outras também iriam terminar. Era o nascimento de Nara, mas também era o renascimento de Carol, o nascimento de uma mãe.

 

Seja bem vinda, minha filha!

Mamãe já ama.

 

Relato de Parto:

Nicole -19/09/2011

Por Nicole Silveira

O dia tão esperado chegou!

Na madrugada de Domingo às 4h da manhã despertei com uma sensação estranha na barriga, que não era dor, o bebê estava mexendo. Fui ao banheiro e vi que minha calcinha estava com uma secreção marrom, fui correndo para consultar na internet e constatei o que sentia: meu tampão mucoso estava saindo e este era o primeiro sinal que o trabalho de parto estava apenas começando. Fiquei muito contente, mas resolvi não acordar Gleyton, eu diria assim que acordássemos.

Pela manhã fui a casa de minha sogra e nos dois últimos dias eu pedia para ela medir minha barriga que estava baixando e neste dia ela estava com 4 dedos, então contei sobre o tampão e que naquela manhã comecei a sentir cólicas bem fraquinhas e irregulares. Ela ficou muito feliz e começou a planejar o cardápio do dia e os bolos que faria.

Liguei para Dona Prazeres, minha parteira, ela disse que eu estava num preparatório e que eu me alimentaste bem até o horário do almoço e procurasse dormir, que a mantivesse informada sobre as cólicas e a intensidade, pois ela estava preparada só aguardando ser chamada. Falar com ela é sempre um conforto, pela segurança e tranqüilidade que ela passa.

Passei o dia organizando tudo para o parto, conversando com Hadassa, para que ela ajudasse mamãe e acendendo brasas de carvão para queimar alfazema (nos partos tradicionais no interior, a parteira queima incenso de alfazema avisando aos vizinhos do nascimento do bebê), o aroma é ótimo e deixava a casa no clima de nascimento.

Trabalho de Parto

Por volta das 23 horas do domingo eu já estava com cólicas mais fortes, porém suportáveis e ainda irregulares, Hadassa mexia bastante. Estava aguardando a chegada de Dona Prazeres  e Danieli. Eu estava muito alegre com a chegada de Hadassa e estava muito sorridente; Deixei tudo em ordem, a casa, o material para o parto, o chá de canela, o incenso de alfazema. Quando elas chegaram pensei: “Está como planejamos, agora é minha filha nascer! Vai dar tudo certo”. Em momento algum duvidei disso: “Vai dar tudo certo”. Dona Prazeres me elogiou: “Hum toda sorridente e bem arrumadinha” como se já soubesse que mais tarde eu estaria fazendo caretas e completamente nua.

Danieli fez a escuta dos batimentos de Hadassa, estavam 140 por minuto. Perguntei a ela sobre a intuição espiritual de Prazeres, pois a minha informava que estava tudo bem, ela confirmou que a dela estava em perfeita sintonia com a minha.

Fui dormir com Gleyton, mas não consegui;Logo começaram as contrações mais fortes e regulares. Dona Prazeres disse que eu a chamasse assim que eu começasse a fazer caretas; Essas caretas vieram junto com as dores mais fortes e a chamei e logo vieram com todo carinho me atender. Fiquei sentada na bola suíça, dando pulos assim que a contração vinha; Caiu a ficha que daquele momento em diante entrei no mundo do parto, aquela madrugada seria marcante e minha filha estava perto de nascer.

Fizeram o 1° exame de toque e informaram que o colo estava bem fino e por isso era difícil constatar quantos centímetros de dilatação estava.

Tomei banho quente da cintura para baixo, o que é realmente muito relaxante, para se ter noção no banho minha barriga contraiu, mas eu não senti a dor;

Durante a noite o trabalho de parto foi assim:

Contrações que foram tornando-se cada vez mais regulares e intensas, nestes momentos contei com o amor e força de meu marido que fazia massagens na região lombar e sacro, fez exercícios de agachamento comigo, me segurava quando eu sentia que não agüentava mais e também quando quase caí por duas vezes por causa do sono; Também contei com o carinho de Dani que me abraçava nos momentos de dores mais fortes, o que me energizava e ainda dizia palavras tão doces que acalmavam e tornavam suportáveis qualquer dor, pois me tornava 

consciente que a vida estava fluindo e minha filha estava cada vez mais pertinho de nascer; Dona Prazeres com seu olhar experiente e seguro me passava toda segurança que estava tudo bem, as dores eram necessárias e naturais, fazem parte do processo da vida; Gleyton me contou que o que o tornava mais calmo diante das minha dores era olhar para ela que vez por outra dava umas piscadelas de lado e dizia a ele : “está tudo bem!”

Ouvimos música toda noite, até arrisquei uns passos de reggae junto a Dona Prazeres. Eram sons conhecidos de Hadassa durante a gestação.

As 5h da manhã minha bolsa estoura, estava em posição da gatinha, ou de

quatro, o que não foi muito confortável. Líquido de cor clara e limpo, o que significa? “Está tudo bem!”

Desta hora em diante as dores se tornaram mais intensas e quando olhava para o relógio o tempo passava a cada meia hora a ansiedade de parir era muito grande acompanhado das dores. Eu estava exausta e precisava dormir; Nos intervalos das contrações que estavam a cada 15 minutos eu me deitei no colchonete que estava na sala e dormi; Sabe aqueles sonos bem curtos que parece que você dormiu por horas?! Mas fui despertada por contração muito forte; “Vale salientar que deitada à contração parece multiplicada por 10X, admiro a força das mulheres que conseguem parir deitadas, pois para mim foi a pior posição que estive durante o trabalho de parto”; Dani me pedia para levantar as pernas o que aliviou um pouco e logo depois que ela passou era como se eu não tivesse sentido nada e caí novamente no meu sono revigorante, até ser despertada por outra contração.

Sentei na cadeira de parto e senti o aconchego do abraço do meu Gleyton, que sussurrava coisas tão bonitas e palavras de força ao meu ouvido sobre nossa filhinha e nosso amor.

Eram umas 7h  Dona Prazeres sugeriu mais um toque, eu não me animei com a  idéia, estava muito sensível e até as perguntas que ela fazia eu não entendia mais..Dani disse: “Ela gora entrou definitivamente no mundo do parto”; Eu me lembrei daquele banho quente tão relaxante e elas consentiram. Após o banho eu cheguei junto delas e pedi um analgésico, elas riram e Dona Prazeres disse: “Não tem”!

Foi então que após o toque Dani informou que sentia a testa de minha filhinha e que faltava tão pouco para Hadassa nascer, ela propôs que eu fizesse o exercício de agachamento com Gleyton sempre que sentisse a contração, eu achei que não fosse conseguir, mas uma força inesperada se apoderou de mim e comecei a caminhar pela casa e quando senti a contração agachava ou sentava na bola suíça para dar pulos; Não parecia em nada com a Nicole de 30 minutos atrás que pedira analgésico! Depois de cada contração eu pensava assim: o meu bebê está mais perto, ele está mais perto”. Foi então que comecei a sentir a famosa e tão esperada vontade de fazer força, eu estava de pé e fui para a cadeira de parto com Gleyton me segurando por trás. Era um mix de sentimentos e a vontade de fazer força a cada contração já minimizava as dores. Dona Prazeres e Danieli se prepararam para o expulsivo com tanta tranqüilidade e alegria me incentivava a cada contração a fazer mais força, pois “- Hadassa linda já está vindo”; As dores já estavam para trás agora era fazer força, os gemidos das contrações deram lugar aos gritos fortes que pareciam auxiliar na abertura do canal do parto e eu só pensava em ter minha filha em meus braços. A cada força eu sentia ela descer . Dona Prazeres e Danieli  estavam já com sua cabeça nas mãos e Gleyton fazia massagem na minha barriga para auxiliar a saída, quando vi o corpinho sair e o chorinho vigoroso dela ecoar na sala, uma sensação de alívio e uma emoção muito forte se apoderaram de mim, ter minha filha tão desejada em meus braços, conhecer seu rostinho lindo, sentir seu cheirinho e seu corpinho quente, pôr sua boca no seio e sentir seu reflexo de sugar.

 

Agradeci ao Criador por nos ter proporcionado uma felicidade difícil de relatar em palavras. Meu amado esposo estava muito emocionado também, ele me disse ainda na gestação que só se sentiria aliviado quando nos visse juntas e estávamos bem ali envoltas nos seus braços.

Relato de Parto:

Danieli - 04/04/2011

Por Dani Siqueira

Duas semanas antes do que eu imaginava ela começou a dar sinais de chegada. A DPP (data provável do parto) era 22 de abril, supostas 40 semanas de gestação. As 38 ela veio.

Veio forte, firme, do modo que se colocou desde o começo quando ainda era uma sementinha. A gravidez de Laura pra mim foi momento de muitas transformações, aprendizados e concretizações.

Grávida dela, acompanhei várias outras grávidas em seus momentos de gestação, trabalho de parto e parto, antes de saber que eu mesma estava grávida.

Naquela altura dos términos da minha gravidez eu já estava num estágio bastante evoluído em relação ao meu aprendizado da trajetória do partejar. Já eram cinco anos de imersão profunda nos ensinamentos, havia feito minhas formações, primeiramente do “doular” e depois do partejar tradicional. Eu já havia conhecido, me reunido e trabalhado com diversas parteiras Brasil a fora. Elas me diziam sempre, és parteira menina!

Na noite do dia 03 de abril de 2011, começaram os pródomos. Como eu já havia parido anteriormente e pelos conhecimentos da minha trajetória de parteira eu sabia o que significava e que provavelmente teríamos algumas longas horas até lá.

A madrugada se estendeu por um sono descontínuo, que era despertado por uma ou outra contração mais intensa, ainda que desreguladas. Havia ainda muitas coisas de trabalho a resolver, então acordei pela manhã com essa preocupação de encaminhar algumas compromissos que precisavam ser finalizados. Pedi ao pai das crianças para despachar nos correios essa documentação pendente, depois de deixar nosso filho mais velho na escola.

Ainda cogitei a hipótese de continuar trabalhando um pouco mais e quem sabe até ir dar aula naquela noite, qualquer coisa eu mesma me resolvia por lá, rsrs. A verdade é que quando o relógio bateu às 11h da manhã, estávamos eu e Laura, dentro da barriga, engatinhando pela casa, que era exatamente o que meu corpo pedia. Estava então decretado o início do trabalho de parto.

Quando identifiquei isso, me levantei liguei para as pessoas que estariam presentes neste momento, Marina, amiga querida pra fotografar, Lívia, amiga e doula, pra cuidar de mim, Nélia, comadre pra filmar, Taís, minha irmã e Rian, com seus 4 anos e meio pra ver a irmãzinha nascer.

Decidi que eu mesma me partejaria, e assim o fiz durante todo trabalho de parto. E seguimos. Piscina, entra, sai, volta...banheiro, bola, cama...comida,

chá, música...ah a música, aliviava as contrações de forma incrível. E assim eu cantava pra ela. Auscultava os batimentos cardíacos fetais da minha pequena, que se mantiveram no mesmo ritmo desde o início da gestação, até a hora de nascer, e não era o ritmo padrão exigido dos 144 BCF´s por minuto. Aquele coraçãozinho bateu desde de sua mais tenra existência até os últimos momentos intrauterinos aos 160 batimentos por minuto, e isso não foi um problema para um mãe parteira que conhecia aquele batuque como ninguém. Fiz dois auto exames de toque, no primeiro 5 cm de dilatação.

Estávamos há cerca de 6 horas de pleno trabalho de parto. Cansada, a Dani fêmea parindo havia pensado em desistir. E no exato momento deste pensamento me veio a visão da Dani parteira por uma fração de segundo que identificou as proximidades do nascimento e possível evolução da dilatação do colo do útero, já que nessas alturas geralmente a grávida pensar e expressa “não aguento mais” ou seja, e se tudo está ocorrendo dentro dos conformes, de forma saudável, quando a mulher diz que não aguenta mais e quer desistir é porque a hora tá chegando.

No segundo toque, já com intervalo de tempo curtíssimo entre as contrações, 10 cm de dilatação, bebê em plano alto ainda, o que possivelmente significava mais algum tempo até entrar no expulsivo.

Neste misto na cabeça de uma mulher parindo e que é parteira, resolvi chamar minha mestra para me ajudar, especialmente no pós-parto, pois sabia que estaria cansada. E assim pedi pra ligarem para Prazeres, minha mestra, madrinha e a partir daí também comadre.

Quando Prazeres chegou eu estava perto de completar oito horas de trabalho de parto, que naquele momento me deu o abraço mais apertado e reconfortante de toda minha vida. Voltei para piscina, foram no máximo 30 minutos de período expulsivo e lá veio Laura, linda, com circular de cordão pelo corpo e em seu pescoço. Com 4,1kg e 53 cm.

 
 

Relato de Parto:

Danieli - 03/11/2006

Por Dani Siqueira

Cerca de 7 anos antes de engravidar encontrei em uma sala da universidade que estudava um pequeno folder de uma instituição que trabalhava com gestantes através de atendimentos por parteiras, a ONG Cais do Parto. Guardei aquele panfleto comigo, e quando engravidei anos depois prontamente as procurei. Fui recebida por Parteiras numa Roda de grávidas e sabia que ali era meu lugar. Ainda sem saber foi o momento da reconexão, reencontro com o meu dom de partejar.

Aos 8 meses de gestação acompanhei já como aprendiz de doula o primeiro parto com uma equipe de parteiras e doulas que também me atenderia 20 dias depois. Foi um dos mergulhos mais profundos da minha existência.

Era um momento de imensa confiança. E ao contrário do que se costuma dizer, aquele foi um dos momentos que me senti mais segura em toda vida. Não tive medo do desconhecido. Acreditei firmemente na minha capacidade de gestar e parir. Acreditar nisso era a única coisa que me fazia sentido.

 

Nesta fase lembrei muito de alguém que nunca conheci, minha avó materna Olívia, mulher parideira que teve 17 gestações e os seus partos em casa com parteira. Anos depois descobri que minha bisavó paterna que faleceu no dia que eu nasci era ajudante de parteira.

 

Esse background das minhas antepassadas me guiou. E segui para parir meu primeiro filho num parto domiciliar que durou 6 horas. Comi, me movimentei, dormi entre as contrações (a natureza é tão sábia que nos permite essa proeza de dormir um sono profundo que dura efetivamente no máximo 5 minutos, mas que é reenergizador e parece que dormimos horas a fio), recebi massagem, nas costas, na cabeça, carinho e amor. Ali estiveram pessoas queridas que me acolheram e afagaram. A parteira e comadre Suely Carvalho usou do seu dom da tradição, com

medicamentos naturais, chás, ervas que contribuíram bastante para o desenrolar do trabalho de parto, além das manobras que ela indicava e as doulas com delicadeza faziam, bem como as massagens, que foram muitas. Contei com um rodízio incrível das mãos divinas das fadas doulas e do meu companheiro na época, que aliviaram imensamente as dores nas costas durante o trabalho de parto.

 

O espaço entre as contrações foi diminuindo paulatinamente até que o expulsivo chegou. Levei algum tempo para me familiarizar com o jeito certo de conduzir a força do “puxo” e assim que me localizei no expulsivo, que durou no máximo 40 minutos, Rian veio com toda garra de um bebê com 4,400kg e 55 cm.

E assim nasceu uma mãe!